Augusto sempre foi um aluno mediano. Nas provas de exatas, desenrolava-se com certa facilidade, mas diante de um texto, sentia-se como um náufrago em alto-mar. As palavras, para ele, eram apenas sinais gráficos que se empilhavam uns sobre os outros, sem oferecer muita profundidade.
Enquanto os colegas escreviam freneticamente, Augusto fixou o olhar naquela criatura andrógina, com as mãos nas orelhas e a boca aberta num silêncio ensurdecedor. O céu em ondas vermelhas e laranjas parecia gritar junto. Ele se lembrou de uma briga feia de seus pais na noite anterior. Lembrou-se do silêncio no carro a caminho da escola. Lembrou-se de como às vezes a dor não tem som, mas ocupa todo o espaço. Augusto sempre foi um aluno mediano
Então, escreveu:
— Escrevam sobre o que vocês sentem ao olhar para essa figura — instruiu a professora. — Não há resposta certa, mas há respostas vazias. Evitem-nas. Lembrou-se do silêncio no carro a caminho da escola
De acordo com o texto, qual era a principal dificuldade de Augusto em relação à disciplina de Português? a) Ele não sabia escrever corretamente as palavras. b) Ele tinha dificuldade em encontrar profundidade nos textos e os via apenas como sinais gráficos. c) Ele não gostava da professora Dona Heloísa. d) Ele preferia matemática por ser uma matéria mais fácil. — Não há resposta certa
Por que a professora pediu que os alunos interpretassem a emoção do quadro e não apenas o descrevessem? a) Porque ela queria testar o conhecimento histórico dos alunos sobre Edvard Munch. b) Porque descrever é muito fácil para alunos do Ensino Médio. c) Porque a interpretação exige que o aluno relacione a obra com suas próprias experiências e sentimentos, dando sentido pessoal ao objeto analisado. d) Porque o quadro não tem detalhes visíveis, apenas emoção.
“O quadro não grita. O mundo ao redor é que está gritando, e a figura apenas tenta se proteger. A angústia não está na boca aberta, mas no fato de que ninguém pode ouvi-la. É a solidão de sentir demais num lugar onde todos parecem estar surdos.”